Voltemos ao Evangelho!

A MULHER PODE FAZER PREGAÇÃO PÚBLICA NA IGREJA?

Por Marco Elias


Biblicamente falando, a mulher não pode aceder ao episcopado, ou ministério pastoral, a bíblia é clara neste sentido. Esta é uma função delegada aos homens. Todavia a mulher pode exercer outras funções e serviços públicos na igreja, inclusive o ensino. 

A MULHER PODE FALAR NA IGREJA?

Algumas denominações utilizam os textos de 1 Coríntios 14:33-35 - 1 Timóteo 2:11-14, para proibir que as mulheres subam ao púlpito ou preguem em cultos públicos. Como resolver isto?

Primeiro, precisamos entender que existem diferenças muito nítidas entre o que Paulo falou como homem e como judeu e aquilo que Deus realmente ordenou como principio imutável. Cabe dizer que o apostolo separa bem ambas as coisas em suas epístolas. A confusão vem do fato das pessoas seguirem antes de tudo, uma vertente teológica, com seus conceitos e preconceitos, para depois seguirem a Cristo e a Bíblia Sagrada. Antes de apresentar os fatos note que o primeiro texto (1 Coríntios 14:33-35) refere-se à ordem no culto da igreja de Corinto e que o segundo texto (1 Timóteo 2:11-14) refere-se ao pensamento judaico do tempo de Paulo (que era judeu), inclusive a parte referente a Adão (versos 13-14) fora aprendida na sinagoga judaica. O apostolo se utilizará da expressão “Não permito...” (versículo 12). Note que ele não disse que “Deus não permite”.  A diferença é bastante clara.

“Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada” - 1 Coríntios 11:5

Em I Coríntios 11:5, vemos que a ação do Espírito Santo na vida da igreja anulava completamente o costume judaico sobre a mulher não poder dirigir suas palavras à assembleia e Paulo será obrigado a tratar da postura da mulher quando esta estiver falando da parte de Deus (profetizando). Todavia veremos ainda o próprio apostolo Paulo sujeito ao desejo de Deus e pregando que a lei fora apenas um pedagogo (aio) para conduzir os santos à manifestação da graça. Esta parte do discurso será concluída pelo apostolo da seguinte forma: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” - Gálatas 3:28. Aqui está a igreja reunida e edificada sem distinção de sexo ou acepção de pessoas.

EXPLICANDO O TEXTO DE 1 CORÍNTIOS 14:33-35

Corinto era uma cidade portuária, e por isso, vinham pessoas de todos os lugares do mundo. Juntamente com as pessoas, vinham as suas crenças religiosas. Devido este motivo, havia em Corinto, templos em honra a vários deuses, inclusive, o Templo de Afrodite... O culto a esta “suposta deusa“ envolvia relações sexuais (prostituição cultual). Havia por volta de 1000 prostitutas cultuais em Corinto, na época... Esta prostituição “cultual“ gerava muito lucro na época. A prostituta cultual, para se diferenciar da mulher de bem, fazia o seguinte: raspava o seu cabelo, assim, todos que vissem uma mulher com cabelo raspado, saberia de que se tratava de uma prostituta cultual de Afrodite. Esta era uma forma de identificá-las.

Pelo fato desta “prostituição cultual“ dar muito lucro na época, então, as mulheres tinham direito de opinar nos ajuntamentos e assembleias públicas, em pé de igualdade com os homens. “E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja” (igreja = (grego) eklesia ► assembleia). A assembleia da igreja de Cristo é santa e não pode ser parecida com as assembleias dos templo pagãos. Isto justifica a postura e a proibição do apóstolo.

Outro fator histórico importante a ser considerado é que a educação e leitura, naquele tempo, eram transmitidas somente aos homens. As mulheres, quase sempre eram analfabetas. Mulheres analfabetas teriam pouca coisa ou nada a transmitir.

EXPLICANDO O TEXTO DE 1 TIMÓTEO 2:11-14

“E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele.” - 1 Coríntios 9:20-23

Os rabinos judeus oravam pela manhã: “Graças te dou, ó Deus, porque não me fizeste gentio, escravo ou mulher” e diziam que “Era perda de tempo ensinar a Lei a uma mulher”. O judaísmo tornou-se nisto; uma religião meramente litúrgica, cheia de preconceitos humanos, moldados pela dureza daqueles cujos filhos negariam o messias. Foi por isto que Cristo reprovou a religião deles. As primeiras testemunhas da sua ressurreição foram as mulheres, cujo testemunho não possuía valor legal para a sociedade e nem para os tribunais da época... O meu Cristo veio destruir os paradigmas da religião morta... Que vive apenas da letra... E não conhece o mover do Espírito Santo, antes o nega com veemência.

No tempo de Paulo, a aplicação pontual de alguns atributos do judaísmo serviu para organizar uma igreja gentílica desorganizada e recém-saída do paganismo. Anos depois da reforma protestante, quando surgiu o tráfico negreiro e a escravatura dos povos africanos no mundo ocidental, novamente a dureza do judaísmo foi utilizada no bojo da igreja, mas desta vez renunciaram completamente a teologia libertadora do apostolo Paulo.

Algumas vertentes protestantes (graças a Deus, algumas não quiseram participar disto) para vergonha e desonra do evangelho defenderam a escravatura, a ponto de um homem de Deus como Jonathan Edwards ter sido um senhor de escravos, enquanto outros, como John Wesley e Charles Finney, foram ferrenhos opositores desta prática diabólica de se comprar homens sequestrados de sua pátria e retirados de suas famílias. A verdade nua, crua e sem rodeios é que alguns crentes bíblicos (?) e politicamente corretos sabiam realmente o que é matar, roubar e destruir, se analisarmos a situação pela ótica das famílias, cujos pais eram vendidos para favorecer o mercado dos sequestradores de almas.

O PAULO JUDEU DE ONTEM E AS MULHERES GENTÍLICAS DE HOJE

O Paulo judeu queria que as mulheres se calassem, para não gerar escândalos. O Espírito Santo nunca obedeceu a cultura dos homens, seja judaica ou seja japonesa. “Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada” - 1 Coríntios 11:5, logo Paulo, o judeu, nos conta na mesma carta em que se diz que a mulher deve ficar calada na igreja (questão de ordem no culto) que quando ela estiver falando da parte de Deus ela deve estar com determinado padrão de apresentação pública.

O evangelho é transcultural. Há situações variáveis de cultura para cultura. Se alguém acha que o evangelho deve ser praticado à risca (letra por letra), será também obrigado a cumprir os atos culturais endossados por Paulo e pelos demais apóstolos na igreja primitiva. Assim já podem começar a praticar o ósculo santo (beijo) conforme Romanos 16:16; I Tessalonicenses 5:26; I Pedro 5:14; I Coríntios 16:20; II Coríntios 13:12 e precisarão também colocar em prática várias outras liturgias figurativas e simbólicas do tempo de Paulo. Para serem coerentes e perfeitos em obediência cultural bíblica, que suas filhas e esposas coloquem o véu e mudem a placa da igreja.

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